quarta-feira, outubro 24, 2007

2008 começou

Dia primeiro de 2008, se você tiver a sorte de me ver, garanto que rirá horrores.
Serei uma Diandra coberta por joelheiras, capacetes, cotoveleiras, espuma e, se conseguir achar para vender, estarei girando dentro de uma bolha. Lembrando também que, mesmo na bolha, respirarei através de máscaras.
Calma, vou responder sua pergunta. - Por quê? - Simples.
Eu devo ter colado trident de canela na cruz.
Logo no dia primeiro de 2007, tomei o maior rola de bicicleta da história dos rolas de bicicleta. No meio de um cruzamento! Estava pedalando furiosamente, apostando corrida e tudo, pelas ruas da praia, a corrente caiu e tome-chão! Dizer que aconteceu na frente de um monte de meninos, que eu rasguei minha calça e destruí minha camiseta novinha da Puma não vai deixar isso pior do que se eu disser que logo no dia dois eu fiquei hiper-mega-ultra-master doente.
Levantar da cama era realmente um luxo! Eu só bebia uma mistura terrível de água com alguma coisa... e não comia. Lá pro dia 3 eu comi uma batata amassada. UMA batata. Háháhá.

A praia lá fora, as ondas no mar.. Minha prima saindo o tempo todo com a molecada e a prancha e eu, onde estava mesmo? Ah sim, deitada. Definitivamente, foi um charme. Não vou falar sobre a água ter acabado na casa onde eu estava, por que você vai ficar com uma imagem porca de mim.
Agora que eu estou pensando, eu comecei 2007 deitada, molenga, podre. Será que é por isso que o ano inteiro eu me senti assim? [É sem falar nos banhos reduzidos. *rs*. Mentira!] UAU! Me amarrote, que eu estou passada! Faz todo o sentido do mundo. Então me ajude: se aquilo que você faz nos primeiros dias do ano interfere no resto dele, como acha que devo começar 2008?


PS. Você viu que minha risada tem acento?

Tudo de Blog * Capricho: O ano começou, e agora?

terça-feira, outubro 16, 2007

Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar

Sem exceção, as pessoas sonham com uma vida melhor. Ou ao menos com aquilo que pensam que tornará sua vida mais fácil de ser levada. Nem sempre estamos certos. Ás vezes aquilo que achamos que é o melhor, não é o que realmente precisamos. Mas isso só se revelará para nós mais tarde. Se é que será revelado.
Já quis que meus pais voltassem a se amar. Hoje, agradeço que tal coisa não tenha acontecido.
Tive sonhos engraçados, desejava que o Brian dos Backstreet Boys me visse em meio a platéia e decidisse ali mesmo que eu seria a mulher da vida dele. O galã mudou para Thiago Lacerda, Leandro, do KLB [urg!], Giovane, do voley e o gatíssimo da oitava série, enquanto eu estava na quinta.
Calças da Diesel podem me fazer ficar empolgada, mas sei que se pudesse optar entre a calça e ver as pessoas que não têm grandes oportunidades e privilégios na vida não serem esquecidas e terem chances reais, eu não teria dúvidas quanto à minha escolha.
Acho que sonhar não tem mesmo limites, também pudera... A vida já é toda limitada. Temos os limites impostos pela família, pelo trabalho, pela faculdade, pelos amigos, por nós mesmos.
Sonhar é o momento que temos para olhar para dentro de nós mesmos e descobrir do que somos feitos e o que nos impulsiona a continuar acordando seis horas da manhã e indo dormir a uma da manhã, dia após dia.
Sonho com emprego melhor, escrevendo o que eu teria gostado de ler quando mais jovem, sonho em ajudar a melhorar a vida dos outros. E como toda boa miss, que eu NÃO sou, sonho com a paz mundial. Mas só sonho mesmo, por que sei que se tudo fosse perfeito a vida ia ser chata, chata.



* Tudo de Blog, Capricho: sobre o limite dos sonhos.*
PS. O Título é de uma música do Fernando Anitelli.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Eu sei que vou ser mal-interpretada. E não ligo.

Você vai prometer que vai pensar no que eu vou falar. Senão, por favor, não leia. A idéia é que você tente se colocar no quadro que eu vou pintar.

Imagine a seguinte situação: Você mora em alguma favela, famosa pelo tráfico, com altos índices de homicídio. Vive com sua família de seis pessoas em um barraco de apenas um cômodo, feito com papelão e madeira compensada. Nada do que você tem hoje faz parte da sua vida. Não tem roupas legais ou de marca, tem dois chinelos, uma sandália e um tênis furado. Tudo compartilhado com a sua irmã. Tem ao todo três roupas que não estão furadas, manchadas ou comidas por traças; Celular, computador, bolsas? Só aqueles que vê na única televisão de 14 polegadas.

Todos os dias, você acorda as 5h da manhã para arrumar o café para a família tomar, descer o morro e tomar três ônibus até o bairro nobre onde você trabalha. Escola e faculdade? Não, você descobriu que sonhar com isso era perda de tempo aos 13 anos. Estava na quarta-serie. Desde então você trabalha de faxineira na casa de famílias riquíssimas como você só vê na tv. Todos os dias convivendo com a miséria e a pobreza na sua casa e a ostentação e desperdício na casa dos patrões.

Seu pai foi morto pela polícia em uma das incursões que a polícia fez a favela. Sua mãe adoeceu e no meio do seu desespero de não saber como comprar remédios ou levá-la ao hospital, o traficante pagou o táxi e as despesas com os remédios. Seus irmãos mais novos não tiveram a mesma sorte que você arranjando empregos nas casas ricas. As lojas não querem contratá-los. Assim como você, eles largaram a escola e não tiveram instrução. Dois deles não sabem sequer ler. Não existem oportunidades no mundo lá fora para pessoas assim. Eis que então, eles descobrem um meio de ganhar algum dinheiro para ajudar em casa e ter uma vida melhor. Encontrarão algum status nesta vida. Aquilo que nunca tiveram. E tudo aquilo que vêem pela televisão, as facilidades, o dinheiro, os tênis, celulares acenam como uma possibilidade real diante deles. A possibilidade de serem legitimados pela sociedade como cidadãos sorri traiçoeira.

Quem acreditou que eles podiam ser úteis? Quem deu algum valor aos seus irmãos, cuidados com tanto carinho na infância? Quem viu neles mais do que estatísticas?
O traficante.
É assim que seus irmãos entram para o tráfico. É assim que eles atravessam a linha da lei. É assim que você vê aqueles de quem cuidou na infância virarem criminosos. Mesmo você sabendo que são pessoas boas e honestas. Apenas que nunca foram valorizadas pela sociedade e jamais receberam oportunidades.

Eu pergunto: De quem você ia gostar mais? Ok. Gostar é um pouco forte. Mas por quem você teria mais simpatia? Pela polícia e o governo, que nada fazem pela sua vida? Que sobem no morro em época de eleição para nunca mais, ou para matar membros da sua comunidade, receber arrego, fazer corrupção? Ou pelo traficante, que salvou a vida da sua mãe, deu emprego pros seus irmãos, comprou o gás de cozinha que você precisava e melhorou sua qualidade de vida? Quem fez mais por você? Que políticas públicas de bem estar chegaram até sua porta?

Se você tivesse que escolher entre abrigar um traficante que sempre esteve lá quando você precisou e dedura-lo para fazer os policiais que mataram seu pai "cumprirem a lei", o que você faria?

Não. Eu NÃO apoio o tráfico. Não, eu não estou justificando nada. Eu só quero que você entenda que o mundo vai muito além do seu umbigo, da sua casa, dos seus sapatos. Não julgue as pessoas. Muito menos essas que você não conhece, não sabe o que passaram na vida e os motivos que as levaram a fazer certas escolhas. É fácil mandar matar todo mundo. Botar fogo na favela. Claro, você está preocupado com a sua segurança aqui embaixo. Com os seus bens particulares, suas propriedades e sua família. Mas quem se preocupou com quem não tem nada para chamar de seu? "É um absurdo essas pessoas descerem do morro pra roubar aquilo que a gente sua tanto pra comprar aqui embaixo", dizem por aí. Mas não é também um absurdo que essas pessoas não tenham oportunidades na vida? Que elas sejam muito mais apoiadas e respaldadas pelos traficantes e bandidos que pelo próprio governo que elegeram? Ser negligenciado dói. Ser esquecido machuca.

Você dorme no seu quarto arrumado, com uma cama gostosa, edredons quentinhos, tem 4 ou mais refeições por dia. Tem escola/faculdade, cursos de inglês, espanhol, francês e esperanto, viaja, tem internet, roupas transbordando o guarda-roupa, tem a família com bons empregos, tem bons carros, tem o último lançamento de celular e aquele Nike lindíssimo. Sua preocupação é como manter essas coisas nos seus devidos lugares, sob seu poder. A preocupação de alguns é apenas como sobreviver até amanhã.

Pense um pouco e veja o que você pode fazer para mudar isso.
Não, eu não digo 'vire comunista'. Não, eu não digo para você não comprar mais nada. Não, não digo para você virar bandido ou apoiar o tráfico.
Você não sabe, mas os verdadeiros responsáveis por tudo isso que você vê, os reais donos do tráfico, não são os coitados que moram na favela e matam gente como bebem água. São pessoas ricas, instruídas como você, que trocam de automóvel todo ano, que tem fazenda, chácara, casa na praia... Que mora numa mansão e usa colarinho. Esses são os maiores criminosos. Os outros não passam de figuras representativas. (como o querido presidente, que nada faz para mudar e que nunca sabe de nada). É um poder falso que reside no 'dono do morro'. Ele não passa de mais um peãozinho do "Banco Imobilário" dos grandões. É uma hierarquia infinita e muito maldosa. E se quer saber, nós também estamos nesse jogo;
Não aconselho apoiar o crime organizado, não aconselho financiar esse tipo de coisa. Mas que tal tentar melhorar um pouquinho a vida de quem não teve privilégios na vida? Poderia ser você. Poderia ser você.




* Escrito depois de assistir "Tropa de Elite" [no cinema] e
discutir feio pela primeira vez com a melhor amiga.*




quarta-feira, outubro 03, 2007

Essa história NÃO foi minha*

O garoto de quem mais gostou até hoje, não era nenhum exemplo de beleza. Nenhum mesmo.
Sempre foi zoada por amigas, prima, família e o que seja por isso. Mas isso realmente nunca lhe importou. A personalidade dele era única, o bom humor, o apoio que ele dava, a maturidade. Cada detalhe era fantástico. Foi então que uma paixão platônica antiga, daqueles mais velhos, reapareceu com força em um daqueles momentos de pequena crise no relacionamento. O ser – humano, denominado aqui por “paixão”, era simplesmente-sensacionalmente-lindo.
Era férias. Começaram a passar muito tempo juntos e o namorado fora da cidade. Ia pra cima, pra baixo, pro lado e para o outro com o "paixão". Mas nunca cedeu. Um dia, a consciência pesou por pensar e passar muito tempo com ele, tendo namorado e, mesmo não tendo traído, terminou pois achou que era mais justo. Resultado final: não quis realizar o sonho de infância de ficar com o "paixão", sofreu durante anos pelo namoro terminado e hoje o "paixão", além de ter desbonitado um pouco, é o mesmo de sempre, com cantadas prontas e previsíveis, provavelmente com um beijo bom, mas vazio como um ovo sem gema. Valeu à pena? Só se for pelo aprendizado.


Pauta "TDB Capricho": Sobre os bonitões.
* e sim, espertinha, a história é verídica.